Por Claudia Valls
Olhem que interessante: a Suécia resolveu inovar e usar um expediente bem diferente para mostrar sua diversidade cultural – a cada semana, um cidadão sueco se torna a “voz” do @Sweden, o perfil do Twitter oficial do país. Anteriormente, a conta era operada pelos canais VisitSweden e Swedish Institute. O projeto “Curadores da Suécia”, usa o perfil @sweden para que a cada sete dias um cidadão controle a conta tuitando (em inglês) o que ele quiser sobre o país: dicas, fotos, programações, reclamações e tudo mais que for considerado relevante, com direito a humor e até palavrão. Semana passada, por exemplo, quem tuitava era Hanna, “uma caminhoneira lésbica típica”, em suas próprias palavras.
“A idéia é que os curadores, através de seus tweets, despertem a curiosidade para a Suécia e para a ampla gama de interesses que o país tem para oferecer. A expectativa é que os cidadãos pintarão um retrato da Suécia diferente do que normalmente é obtido através de meios de comunicação tradicionais . Aparentemente, a medida está dando certo, pois o @sweden dobrou seu número de seguidores (passou a contar com 20 mil followers) em apenas cinco semanas.
“Nesta época de internet e transparência, se quisermos passar credibilidade, temos que dar o controle e o poder ao povo”, diz Tommy Sollen, gerente de mídias sociais da VisitSweden, que foi um dos autores da idéia. “Queremos ser vistos como avançados, abertos e verdadeiros”, conclui Sollen. Internautas do mundo inteiro tem seguidos os tweets que cobrem assuntos diversos, como imigração, notícias, música, comida, religião e até caça (na Suécia, a caça é legalizada).
“Meu Deus, eu realmente adoro ser o @sweden”, escreve Hanna. “Eles terão que passar por cima do meu cadáver para me tirar da conta”. Pelo visto, não foi necessária nenhuma ação dramática para que a caminhoneira largasse o perfil. Esta semana, ele está nas mãos de uma professora, mãe de quatro filhos.
A censura ou a aprovação prévia do conteúdo dos tweets passa longe do @sweden. Hasan Ramic, um imigrante que fugiu da Bósnia no início dos anos 90, e que já assumiu o controle da conta, foi abertamente contra a política do Ministro das Relações Exteriores da Suécia. Ele conta que não acredita numa sociedade homogênea e que representou o lado mais colorido do país. Democracia é isso aí.
E vocês, leitores, o que escreveriam a respeito do Brasil caso pudessem assumir um perfil como @Brasil?