Você pode aumentar e diminuir a visualização do conteúdo deste site segurando a tecla "ctrl" e pressionando + ou - no seu teclado.

Se preferir, use as teclas de atalho (accesskeys) para facilitar sua navegação.
Por Cláudia Valls

O panorama da Internet da China – buscares, marketing digital, mobile marketing, serviços como e-mail e e-commerce – pode mudar drasticamente se o Google realmente se retirar do mercado chinês. O casamento entre o país e a corporação está em crise há tempos. O ato de Eric Schmidt, CEO da companhia, de demitir-se, oferecendo a ferramenta de busca (censurada) Google.cn para o mercado chinês tem sido interpretado por idealistas como a coisa certa a fazer. Mas, antes de tudo, pode se tratar de uma decisão empresarial.
Apesar de a quota de mercado do Google (GOOG – notícia – gente) ter subido de 15% em meados de 2006 para 31% hoje, a empresa esperava uma participação maior. Kai-Fu Lee, ex-presidente do Google China, disse em 2006 que o portal não só queria ter um produto que pudesse competir com o Baidu, o líder de busca local, mas um de qualidade superior. E isso não aconteceu. O Baidu só tem aumentado a sua parte de mercado, passando de 47% em meados de 2006 para 64% hoje. O Baidu é o maior rival do Google e quase certamente irá absorver mais usuários se Google.cn não for mais uma opção, podendo se tornar demasiadamente forte e, como conseqüência, menos incentivado para se inovar. E páginas como a chinesa QQ Tencent se aproveitariam dessa “inércia” para também poderem aumentar seu tamanho.
A impressão dos especialistas é a que o Google está desistindo agora por perceber que não há maneira de se ganhar a corrida, ou seja, não se trata de uma decisão contra a política censora chinesa. Afinal de contas, Larry Page e Sergey Brin, os fundadores do portal, já cruzaram a linha em 2006 ao concordarem a sujeitar à censura seu novo Google.cn. Não que tivessem escolhas. Todas as empresas que fazem negócios na China seguem as mesmas regras da política chinesa. E, sim, os resultados de busca do Baidu também são censurados.
Enquanto o Google se atrapalhou com seu buscador chinês (de qualidade inferior), inicialmente lançado em 2000, o Baidu agarrou a liderança na China e a manteve. Introduziu, por exemplo, serviços orientados para a comunidade, incluindo quadros de avisos – um serviço que o ex-presidente do Google China, Kai-Fu Lee, julgou como não tendo nada a ver com busca. O Baidu também oferece mensagens instantâneas, um sucesso entre os internautas chineses. O QQ Tencent também é o queridinho da comunidade publicutária da China. Todos os tipos de comerciantes, desde vendedores de carros até doceiros, têm parceria com o Tencent para criar campanhas digitais, atraindo dezenas de milhões de consumidores chineses.
E ainda existem oportunidades em outras áreas, incluindo mobile, e-mail e e-commerce, disse um outro perito. “O Google não é apenas uma ferramenta de busca, ou uma opção de e-mail. A possível saída do Google da China se transformará em uma gigantesca abertura em todas as direções.”
É a opinião geral que o Baidu não arrebanhará todos os fãs chineses do Google. A ausência do Google “deixa muito mais espaço do que as pessoas pensam”, disse, em Pequim, Quinn Taw, parceiro da empresa no Mustang Ventures, que ocupou altos cargos na Mindshare e Zenith Media, na China.”As pessoas acreditam que tudo vai ir para o Baidu, mas os chineses que utilizam o Google.cn são usuários mais qualificados. Eles são sofisticados, trabalhadores de colarinho branco, que querem uma boa experiência, especialmente se estão fazendo buscas em inglês. Eles não vão voltar para o Baidu se não puderem mais usar o Google. Vão experimentar outros mecanismos de pesquisa “, disse Taw.
Já na opinião de Dick Wei, vice-presidente de pesquisa de ações do JP Morgan em Hong Kong, o QQ.com Tecent é “o mais provável de se tornar um concorrente para o Baidu no futuro.” pois o site já é o mais popular da China, atraindo 133,8 milhões de visitantes únicos em agosto de 2009, de acordo com a eMarketer, pouco mais de 130,9 milhões de Baidu.
Dois sites estrangeiros podem se beneficiar com todas essas possibilidades: o Yahoo e a Microsoft, que lançou uma versão em chinês do Bing ano passado. O site chinês do Yahoo é operado pela Alibaba Group, um provedor de e-commerce poderoso. A Alibaba retirou o Yahoo do mercado de pesquisa no continente, mas se o Google realmente sair, pode reconsiderar a idéia e recolocar o buscador de volta na China”, disse TR Harrington, co-fundador e CEO da Darwin Marketing em Xangai.
O Bing, por outro lado, tem mais a ganhar, uma vez que está começando na China, justamente quando os usuários começam a procurar alternativas ao Google. De acordo com a comScore, a Microsoft detinha 5% do mercado da China em serch engines em novembro de 2009, em comparação aos 14% do Google e aos 62% do Baidu. O Bing é o “azarão” que beneficiaria se o Google desistir da China”, disse Taw.
Ao contrário do Google, que já gozava de certa notoriedade quando entrou na China, a plataforma do Bing é praticamente desconhecida no país. Mas a empresa baseada em Seattle já demonstrou forte interesse no marketing chinês, algo que o Google não fez, e os peritos locais insistem que foi um dos impedimentos do crescimento da empresa americana.
Outra demonstração das intenções de o Google abandonar a China foi o cancelamento do evento que lançaria o seu celular Android no país. Fontes afirmam que Beijing foi cortada da lista por conta da disputa com o governo. Entretanto, a empresa nega que cidade estivesse na programação, o que é difícil de se acreditar se levarmos em conta o mercado mundial de telefonia móvel conta com mais de 738 milhões de assinantes (dados de novembro de 2009). Tanto a Motorola quanto a Samsung Corp tinham planos para iniciar os celulares Google-powered através da China Unicom, em 20 de janeiro. E as vendas de smartphones estão disparando, seguindo o de serviços 3G via três prestadores de telecomunicações chineses no ano passado. A Nokia está lançando modelos 3G, o BlackBerry agora tem distribuição China, e o iPhone, da Apple, começou a ser vendido legalmente no ano passado, após anos de importações através mercado negro.
Mas, como em todo casamento que se preze, há sempre desmentidos sobre um possível divórcio. Aparentemente, o Google continua a contratar funcionários nos setores de vendas, desenvolvimento de negócios e pesquisa & desenvolvimento, em Pequim, Xangai e Guangzhou, numa demonstração que a separação não faz parte dos planos imediatos.
Fontes: Advertising Age , Forbes.com, Tickerspy.com, G1 e IDG Now!
Arquivos em: Social Media
17 ago
Redes Sociais para os Negócios: TURMA LOTADA Rio de Janeiro - RJ27 ago
Redes Sociais para os Negócios Rio de Janeiro - RJ15 set
Ações de Comunicação em meio digital Rio de Janeiro - RJ29 set
Redes Sociais para RH Rio de Janeiro - RJiDigo - Núcleo de Inteligência Digital
Avenida das Américas, 700 - BL 3 SL 210
Città América - Barra da Tijuca - Rio de Janeiro, RJ
CEP: 226420-100
Brasil