Você já conhece O Livreiro? Não é um novo best-seller, mas sim uma nova rede social, diferente e inovadora, voltada para o mundo da literatura. Em entrevista para o Blog do Seminário Global de Empreendedorismo do IEL-RJ, Joyce Jane, responsável pelo projeto e Gerente de Inovação da Infoglobo, fala sobre a rede social, que já tem cerca de 20 mil usuários cadastrados, com acesso a um banco de dados com mais de 2 milhões de títulos. “Percebemos, em apenas quatro meses de projeto, que os brasileiros se interessam bastante pelo assunto ‘leitura’ e estabelecem uma relação de carinho com os livros. Além disso, adoram se comunicar, debater temas, participar”, afirma.
Joyce ainda comenta sobre as novidades de interatividade adotadas pela Infoglobo e da receptividade e participação dos leitores nos projetos “Eu – Repórter” e “Nós e Você. Já são dois gritando”. Segundo ela, os negócios na web estão sempre em evolução e, por isso, não podem ignorar a internet. “O mundo real está hoje praticamente todo replicado no mundo virtual. É necessário estar sempre antenado com tudo que ocorre, se reciclar dia a dia, porque a rede não para de evoluir. Internet hoje faz parte da vida, não dá para ser desprezada em nenhum negócio.”
Na Flip deste ano, você lançou uma rede social inovadora, O Livreiro, voltada para o mundo dos livros. Como surgiu a ideia de criação desta rede social?
Joyce Jane - No ano passado, a Infoglobo criou uma gerência geral para estudos de novos negócios, cujo objetivo era atuar em mercados e/ou experimentar ferramentas que trouxessem novas competências para a empresa. Depois de estudar as tendências e oportunidades do mundo digital, selecionamos três projetos, apresentamos à empresa e acabamos optando pela rede social de livros.
Você afirmou também, durante a Feira, que o projeto está em fase experimental. O que os leitores já encontram na rede? Se está em beta, é porque o site continuará trazendo mudanças?
Joyce Jane - O projeto foi desenvolvido de forma muito rápida e lançado em versão beta, com cerca de 60% das funcionalidades previstas inicialmente. Nem por isso foi lançado pobre. O Livreiro já entrou no ar com um banco de dados com mais de 2 milhões de títulos, com conteúdo informativo sobre o mundo editorial, possibilidade de o leitor criar suas próprias estantes, comunidades, opinar sobre os livros, fazer sua rede de amigos, etc. Já fizemos várias mudanças e, no momento, estamos estudando o lançamento de uma versão atualizada, com demandas dos próprios usuários.
Você está buscando ideias para aprimorar o site com os próprios internautas? Eles estão fazendo sugestões produtivas?
Joyce Jane - O Livreiro possui uma ferramenta de feedback construída para que os usuários possam dar sugestões e também votar nas ideias que desejam ver implementadas. Nossa equipe coleta, diariamente, estas sugestões, e algumas delas são transformadas em melhorias do projeto. São ideias interessantes, que mostram como o usuário de O Livreiro busca nos ajudar a aprimorar o projeto. Além disso, damos uma atenção especial a todas as sugestões de usuários que são postadas em outras redes sociais, como Twitter e Orkut.
Já implementaram alguma ideia sugerida pelos usuários? Poderia dar exemplos?
Joyce Jane – Até o momento, já realizamos muitas melhorias do site que foram fruto destas sugestões, como busca integrada no site, inclusão de livros nas listas pessoais, notificações de atividades da rede por e-mail e inserção de novos livros à nossa base. Estas entregas são comunicadas aos usuários de O Livreiro através do nosso blog.
Qual a importância da participação do leitor na construção da rede?
Joyce Jane - A participação é fundamental. Por mais que haja estudos, pesquisas e conhecimento sobre o mecanismo de redes sociais, só é possível entender realmente o que os internautas querem quando eles começam a interagir.
Quantos leitores vocês já têm cadastrados? A audiência é grande? Os brasileiros se interessam em discutir literatura?
Joyce Jane - O Livreiro possui hoje mais de 20 mil usuários cadastrados. Nossa audiência vem crescendo: temos, até outubro, mais de 1,5 milhão de pageviews e cerca de 300 mil visitantes únicos. Percebemos, em apenas quatro meses de projeto, que os brasileiros se interessam bastante pelo assunto “leitura” e estabelecem uma relação de carinho com os livros. Além disso, o brasileiro adora se comunicar, debater temas, participar. Por isso, outras redes sociais, como o Orkut, fazem tanto sucesso no Brasil. Para nós, estes dois aspectos ajudam O Livreiro a ser um sucesso em tão pouco tempo.
Você acha que os jovens estão lendo menos por passarem mais tempo na internet? Ou esse acesso ilimitado permite que eles estejam em contato com diferentes tipos de literatura?
Joyce Jane - Eu acho que os jovens estão lendo mais. As editoras já descobriram esse filão e é crescente o volume de lançamentos de títulos para o público jovem. O objetivo de O Livreiro é exatamente incentivar a leitura, apresentar novas opções a leitores muitas vezes fiéis a um conjunto reduzido de autores.
Quais dicas você daria para um novo empreendedor que deseja usar a web como fonte de seu negócio?
Joyce Jane - É preciso ter a mente aberta para entender que os conceitos de sucessos e fracassos são diferentes para empreendimentos na internet. Também é necessário estar sempre antenado com tudo que ocorre, se reciclar dia a dia, porque a rede não para de evoluir. Os negócios na web estão sempre em evolução.
Atualmente, o jornal O Globo e o Globo Online estão cada vez mais integrados com a sociedade, que participa ativamente com notícias, fotos, vídeos, etc. Outra campanha interessante é o “Nós e Você. Já são dois gritando”. Foi difícil implementar essas novidades ou foi uma transição natural?
Joyce Jane - Foi certamente uma transição natural. O projeto “Dois gritando” foi, na verdade, uma variação das experiências de interatividade que já temos tido há três anos, tanto com os comentários de leitores em matérias em blogs quanto com o nosso serviço de jornalismo participativo, aqui chamado de “Eu – Repórter”. A área de comentários, especialmente, já se transformou, por si só, numa área de debates entre os nossos leitores, de integração do Globo com a sociedade. Porém, ainda carecemos de mais organização nessa área, algo que pretendemos fazer em breve, com o desenvolvimento de um ambiente de rede social mais robusto dentro do nosso site. Acho que a experiência da campanha do “Dois gritando” é mais um passo nesse processo de evolução e aprendizado rumo a um site 100% interativo, em rede com a sociedade. Além de ser, claro, uma poderosa ferramenta de entrega, na prática, do conceito da campanha.
Com essa mudança, a “audiência” e popularidade desses veículos aumentou? As pessoas aceitaram com facilidade ou tiveram algum tipo de resistência a participar?
Joyce Jane – Todas essas experiências de interatividade trouxeram ganhos substanciais de audiência e popularidade. Apesar de sabermos que ainda temos muito o que evoluir, já somos vistos hoje como o jornal mais interativo do mercado brasileiro. Viramos referência nesse quesito, o que é muito bom. Quanto à resistência, dá para dizer que quase não houve. Recebemos, sim, algumas reclamações com relação ao “Eu – Repórter”, de gente que achava que deveríamos pagar para publicar conteúdo do leitor. Algo que aos poucos foi se diluindo, à medida que as pessoas foram entendendo o conceito da nossa proposta de jornalismo cidadão. Mas com relação aos comentários, a aceitação foi imediata, e o grau de participação cresce exponencialmente, ano a ano.
O futuro do empreendedorismo e da inovação está diretamente ligado à internet?
Joyce Jane – O mundo real está hoje praticamente todo replicado no mundo virtual. Por isso, acho que é muito difícil que os novos negócios e a inovação ignorem a internet. Mas não significa que toda inovação e empreendedorismo tenham que ser realizados no mundo digital. Mas com certeza será influenciado e terá que interagir com ele. Na minha opinião, internet hoje faz parte da vida, não dá para ser desprezada em nenhum negócio.
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